segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Preto, verde e vermelho

       Estava ficando difícil dirigir daquele jeito.
       O sangue coagulado em minhas mãos era viscoso e parecia cola, grudando no volante e fedendo, fedendo muito, com um cheiro acre e parecido com alguma coisa metálica, como aquele gosto de chave. Tinha náuseas violentas e meus olhos ardiam, queimados pela pólvora.
       A mulher ao meu lado estava pálida e imóvel, e pareceria morta não fosse pela respiração ofegante e pelas lágrimas que corriam incessantes de seus olhos verdes, limpando o sangue seco em seu rosto.
       Não era pra ser assim, tudo devia estar bem agora, com uma bela menina do meu lado, um dinheirinho no meu bolso e aquele velho fora do nosso pé. Mas ele tinha que ser machão, manter aquela pose de lutador de boxe aposentado que nunca lutou bosta nenhuma.
       Além de velho (como eu odeio os velhos!), tarado (como eu odeio pervertidos!) e burro (como eu odeio gente burra!), metido a valente... Agora está morto e uma coisa que não me incomoda é gente morta. Mesmo quando emporcalham a mim e ao meu carro de sangue. Foda é o cheiro.
      Mas eu mandei ele parar. Avisei que não tinha saco pra ficar de briga com um cafetão de merda como ele. Era só liberá-la, dar o dinheiro a que ela tinha direito e sair da frente, mas não, ele tinha que ficar em cima dela, batendo na menina e me apontando aquele 38 enferrujado e a coisa que eu mais odeio no mundo é gente escrota me apontando arma.
       Acho que ele nunca tinha visto uma Desert Eagle antes, senão tinha ficado quieto. Até ele engatilhar aquela velharia e me apontar já tinha cérebro em cima de todo mundo, foi a coisa mais feia, aquele bucho velho sangrando em cima da minha menina, foi nojento, coitada.
       Só me preocupa a longevidade de relacionamentos que começam dessa maneira.
       Mas ela continua linda...
       Cabelos pretos, olhos verdes e vermelho carmesim, muito vermelho carmesim.
       Ela vai ficar melhor, eu sei, assim que passar o susto e lavar os pedaços de miolos de seu cabelo...


Publicado por Frederico Griman
Fred Griman na verdade gosta do cheiro de sangue.

2 comentários:

Slip disse...

Mesmo com chance de dar errado, tem que assumir.

Mar disse...

Concordo no seu ódio pelos velhos, pervertidos... Muito bom seu texto!

;)