Vamos injetar a madrugada/Inalar a madrugada/Tóxica e doce/
Vamos perder o trema/ e o sentido das palavras/ Vamos nos perder de alguma forma antes do anoitecer/ Vamos injetar a madrugada olhos adentro.../ vamos estalar os ossos e extrair deles o que há de óbvio/ toda canção óbvia/ todo desatino sólido.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um Coquetel Bioquímico

     Suzana era uma neguinha cria do morro. Mora no Mesquita desde 1972. Gostou de ter vivido a infância e se alegra bastante com as lembranças claras. Ainda no final da infância conheceu Julio César - estudaram juntos no Soares Pereira. E por semanas ela sonhou com uma migalha do que, por fim, foi.
     Possæmor.

     Não teve ar para se exprimir: em uma palavra não! Não havia nome.
     E os primeiros beijos faziam com que ela sentisse sua alma sugada e revirada; seu corpo etererguido; sua mente atingida por um coquetel bioquímico. Seu leve corpo de neguinha citiado pelo braços negros. E à Suzana a firmeza do abraço indicava que só o final...




     - Suzana, vai dormí.
     - Não, mãe. O Julio César chega daqui a pouco.
     - Mas já vai dá duas horas já. Larga dele. Ele num tem nada a te acrescentá.
     - Mãe, eu amo ele!
     - Que mané amô, menina? Coração de bandido é na sola do pé.
     Suzana se calou pensando ele me ama

Publicado por Pablo Garcia.
Pablo Garcia disfarça um coquetel molotov de palavra e música.

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