Vamos injetar a madrugada/Inalar a madrugada/Tóxica e doce/
Vamos perder o trema/ e o sentido das palavras/ Vamos nos perder de alguma forma antes do anoitecer/ Vamos injetar a madrugada olhos adentro.../ vamos estalar os ossos e extrair deles o que há de óbvio/ toda canção óbvia/ todo desatino sólido.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O canto do urubu

13- Não perderam nenhum segundo, e muito menos o término do filme.
    Andavam a passos ligeiros. Ultrapassavam aqueles que pareciam perdidos na escada rolante.
    Entraram alucinados no carro.

-Pra onde, pra onde? perguntava ela.

    O rapaz reclinou o assento, e tirou a calça.

-Vem, vem rápido! Não quero esperar mais!
-Aham, aham! respondeu ansiosa, retirando também sua calça.

    Já estava sobre David quando este mordeu os lábios de satisfação –o pênis encaixara de primeira. Sentia, então, a umidade, a pressão da vagina, comprimindo-o, o embate dos corpos, o odor inconfundível. Notou que David apertava suas nádegas, balançava-a, queria a sensação de que fosse partir, de espargir-se. Agitou mais o corpo, fazia movimentos quebrados com a cintura.

-Vocês tão precisando de alguma ajuda, indagou o segurança do shopping.

    O segurança, ao ver algo de estranho no carro, resolveu verificar se algum roubo estava sendo efetuado.
    O casal, sem graça, não conseguia nem se mexer, quanto mais dizer alguma coisa.

-Tô vendo que não. Mas, aí, arruma outro lugar pra isso porque senão vocês fodem o meu lado, sabe como é que é.

    Vestiram-se, envergonhados, e injuriados.


Publicado por Thiago Luna.
Thiago Luna também está na campanha para salvar os pássaros raros da espécie Galvão.

2 comentários:

Pablo disse...

Dois manés que num tem uma treta pra dar uma. Classe média é assim mesmo.

t. disse...

texto da época em que existia classe média no rio de janeiro. eheh

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