related_results_labels({"version":"1.0","encoding":"UTF-8","feed":{"xmlns":"http://www.w3.org/2005/Atom","xmlns$openSearch":"http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/","xmlns$georss":"http://www.georss.org/georss","xmlns$thr":"http://purl.org/syndication/thread/1.0","id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-3613412900021533829"},"updated":{"$t":"2010-09-08T10:46:24.217-03:00"},"title":{"type":"text","$t":"Trema Literatura"},"subtitle":{"type":"html","$t":"Vamos injetar a madrugada/Inalar a madrugada/Tóxica e doce/\nVamos perder o trema/ e o sentido das palavras/ Vamos nos perder de alguma forma antes do anoitecer/ Vamos injetar a madrugada olhos adentro.../ vamos estalar os ossos e extrair deles o que há de óbvio/ toda canção óbvia/ todo desatino sólido."},"link":[{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#feed","type":"application/atom+xml","href":"http://www.tremaliteratura.com/feeds/posts/default"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/-/porto?alt\u003djson-in-script\u0026max-results\u003d5"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http://www.tremaliteratura.com/search/label/porto"},{"rel":"hub","href":"http://pubsubhubbub.appspot.com/"},{"rel":"next","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/-/porto/-/porto?alt\u003djson-in-script\u0026start-index\u003d6\u0026max-results\u003d5"}],"author":[{"name":{"$t":"Coordenação Editorial"},"uri":{"$t":"http://www.blogger.com/profile/07633661803994798123"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"}}],"generator":{"version":"7.00","uri":"http://www.blogger.com","$t":"Blogger"},"openSearch$totalResults":{"$t":"42"},"openSearch$startIndex":{"$t":"1"},"openSearch$itemsPerPage":{"$t":"5"},"entry":[{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-3613412900021533829.post-3807991463093243839"},"published":{"$t":"2010-09-08T07:03:00.000-03:00"},"updated":{"$t":"2010-09-08T07:03:00.577-03:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"porto"}],"title":{"type":"text","$t":"No profundo da carne"},"content":{"type":"html","$t":"\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp; Uma pena não existirem inventos. Máquinas que consertem a gente como deveriam consertar. A máquina de consertar palavras erradas, ainda, por exemplo, não foi inventada. Foi inventada a palavra desculpa, que devido ao uso já não possui tanta credibilidade. Junto com a palavra errada nasceu o silêncio, que chamamos de constrangimento. Infelizmente ainda não inventaram a tal máquina de consertar constrangimento. \u003cbr /\u003e\u003cspan id\u003d'fullpost'\u003e\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Não há máquina que conserte relacionamento falido e nem coração escangalhado. Não há. Não há bálsamos nem para o constrangimento e nem para a dor, não há borracha que apague o desencontro e nem os erros, as cobranças, as acusações. Veja você, não há nada que nos redima. Somos dois perdidos numa noite suja, e a noite não tem fim.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp; Dizem – os mais otimistas – que o tempo cura tudo. É mentira. Não cura nada. A solidão é o tempo, o tempo que esqueceu de acontecer. A solidão é o tempo da partida, do adeus, e o tempo, ah, é o filho ingrato que não volta nunca, que se rebela, que te cala. O tempo nada conserta. A gente é que precisa consertar o tempo. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp; A gente precisa consertar o tempo, as coisas que estragamos, as coisas que ainda são possivelmente coladas, se forem coladas. A gente precisa ser mais responsável com o tempo, e com as coisas. Numa última análise, a gente precisa ser só um pouco menos humano. A gente precisa consertar as noites mal-dormidas, vencidas pelos problemas, pela descrença. Recuperar o frio nas entranhas quando o primeiro olhar. Recuperar a certeza do primeiro sim, do primeiro riso. Recuperar a nuvem, o sonho, a caixa de música destampada.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp; Pena não existir: máquina que separa e junta cama, relógio que desmarca compromissos, lenço de fazer a lágrima não cair, capacete esquecedor de gente que já se foi, mapa de entender onde foi que as coisas começaram a dar errado. Pena não existir o capturador de vozes da memória, que eu tenho medo já de envelhecer e esquecer as vozes das pessoas que já não existem em outro lugar que não sejam na minha memória. Eu tenho medo de esquecer as vozes dessas pessoas, a quem amei profundamente, e já não existem tanto,\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp; Eu tinha descoberto as coisas – é melhor não descobri-las? O pior é descobrir outras, as coisas que não tem jeito, que tenho vocação mesmo, nos mesmos silêncios, nas minhas ausências de olhos absortos em outro mundo que não há, em outra realidade paralela possível onde existe felicidade a preço baixo e sem consternação, o duro é mesmo descobrir que a descrença que tenho, o pessimismo que tenho, a solidão que tenho, essa não tem cura – está entranhada em carne, no profundo carne, pegada nas veias.\u003cbr /\u003e \u003c/span\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003ePublicado por Eloise Porto.\u003cbr /\u003e\u003cem\u003eEloise Porto não ganhou na mega ultra sena, infelizmente.\u003c/em\u003e\u003cdiv class\u003d\"blogger-post-footer\"\u003e\u003cimg width\u003d'1' height\u003d'1' src\u003d'https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3613412900021533829-3807991463093243839?l\u003dwww.tremaliteratura.com' alt\u003d'' /\u003e\u003c/div\u003e"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http://www.tremaliteratura.com/feeds/3807991463093243839/comments/default","title":"Postar comentários"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"https://www.blogger.com/comment.g?blogID\u003d3613412900021533829\u0026postID\u003d3807991463093243839\u0026isPopup\u003dtrue","title":"0 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/3807991463093243839"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/3807991463093243839"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http://www.tremaliteratura.com/2010/09/no-profundo-da-carne.html","title":"No profundo da carne"}],"author":[{"name":{"$t":"Eloise Porto"},"uri":{"$t":"http://www.blogger.com/profile/10920883780637464596"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$extendedProperty":{"xmlns$gd":"http://schemas.google.com/g/2005","name":"OpenSocialUserId","value":"04829251064664572999"}}],"thr$total":{"$t":"0"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-3613412900021533829.post-4619406401654393801"},"published":{"$t":"2010-08-11T18:17:00.001-03:00"},"updated":{"$t":"2010-08-11T18:19:44.641-03:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"porto"}],"title":{"type":"text","$t":"João e Maria"},"content":{"type":"html","$t":"\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;A moça passa e vai, pobre rapaz. Não era a primeira canção de amor para ela, a noiva da cidade, a principal noiva de um cowboy desesperado. A moça vai, sai, larga, pobre rapaz. Segue a visão colorida e duplicada da figura fugidia, Ela, atávica. Ela foge, mais rápida do que a risada passada, o tempo é curto, o passo é firme, a cidade é grande. A moça? A moça passa, e deixa pra trás seu rastro de perfume abre-alas, a sombra esquiva, o silêncio de cinematógrafo. Sua blusa voa, os olhos combinam com a blusa que nela é única, apesar da presença das vitrines da cidade. Por elas, só o reflexo do corpo mudo percorrendo a calçada de pisadas fortes – mulher de Atenas, passos espartanos em disparada.\u003cbr /\u003e\u003cspan id\u003d'fullpost'\u003e\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;A moça se esvai a cada minuto, pobre rapaz. Ele, que tanto a recorda, pouco vê. E cada vez mais ela se forma em sua ideia como um projeto dela mesma, como imagem de moça no espelho, no vidro da vitrine que dela se enamora. Pobre rapaz. Para ela, o amor mais puro, mais elaborado, mais etéreo, menos boca de feijão e de hortelã. Para ela, os segundos de admiração velada. Para ela, a espera nossa de todo dia de vigia. Para ela, a poesia da palavra imaculada. Ela, um facho de luz que percorre a cidade. Pobre rapaz.\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003eTexto inspirado na música \"As vitrines\", de Chico Buarque.\u003cbr /\u003e\u003c/span\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003ePublicado por Eloise Porto.\u003cbr /\u003e\u003cem\u003eEloise Porto sempre faz a lição de casa.\u003c/em\u003e\u003cdiv class\u003d\"blogger-post-footer\"\u003e\u003cimg width\u003d'1' height\u003d'1' src\u003d'https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3613412900021533829-4619406401654393801?l\u003dwww.tremaliteratura.com' alt\u003d'' /\u003e\u003c/div\u003e"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http://www.tremaliteratura.com/feeds/4619406401654393801/comments/default","title":"Postar comentários"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"https://www.blogger.com/comment.g?blogID\u003d3613412900021533829\u0026postID\u003d4619406401654393801\u0026isPopup\u003dtrue","title":"7 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/4619406401654393801"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/4619406401654393801"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http://www.tremaliteratura.com/2010/08/joao-e-maria.html","title":"João e Maria"}],"author":[{"name":{"$t":"Eloise Porto"},"uri":{"$t":"http://www.blogger.com/profile/10920883780637464596"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$extendedProperty":{"xmlns$gd":"http://schemas.google.com/g/2005","name":"OpenSocialUserId","value":"04829251064664572999"}}],"thr$total":{"$t":"7"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-3613412900021533829.post-4339465124635741134"},"published":{"$t":"2010-07-28T11:50:00.002-03:00"},"updated":{"$t":"2010-07-28T11:56:36.457-03:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"porto"}],"title":{"type":"text","$t":"Poder"},"content":{"type":"html","$t":"\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;O garoto tinha um dedo machucado sob as pernas arranhadas e brancas de poeira, dentro de um par de tênis imundo. A barriga sobrava na camisa de alguém – o ex-dono da roupa era alguém obviamente menor que ele. Sobrava a tal barriga e o olho – era preciso não dormir, apesar do cansaço. Não se mexia. Pensava, do alto dos seus onze anos, que um dia queria ser palhaço em um circo. Seria algo? O futuro estava em suspenso, um pouco mais do que para as outras pessoas. \u003cbr /\u003e\u003cspan id\u003d'fullpost'\u003e\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp; Queria jogar futebol, chutou um pedrinha pequena, catou uma tampa de plástico no meio da imundície daquele chão sujo, daquele lugar sujo, daquela vida. A boca permanecia calada já de duas horas – eram duas horas de silêncio em um menino de onze anos construído por muitos silêncios. Os ombros estavam doloridos, peso do que se carrega, e ele carregava coisas que já não podia, que nunca poderia ter.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Do alto do mais alto barraco daquele morro, ele espreitava. Tinha onze anos, quase doze. Até que viu algo se mexer. Em um silêncio de menino emudecido pelo tempo, não pensou mais no picadeiro colorido, gigantesco. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;O movimento curto dele deslizou o orvalho, desenhando um rio sobre a superfície gelada e escuramente metálica. Poder. O dedo deslizou lentamente no gatilho, tracejando a madrugada.\u003cbr /\u003e\u003c/span\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003ePublicado por Eloise Porto.\u003cbr /\u003e\u003cem\u003eEloise Porto se recusa a dar adeus ao Snoopy.\u003c/em\u003e\u003cdiv class\u003d\"blogger-post-footer\"\u003e\u003cimg width\u003d'1' height\u003d'1' src\u003d'https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3613412900021533829-4339465124635741134?l\u003dwww.tremaliteratura.com' alt\u003d'' /\u003e\u003c/div\u003e"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http://www.tremaliteratura.com/feeds/4339465124635741134/comments/default","title":"Postar comentários"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"https://www.blogger.com/comment.g?blogID\u003d3613412900021533829\u0026postID\u003d4339465124635741134\u0026isPopup\u003dtrue","title":"7 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/4339465124635741134"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/4339465124635741134"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http://www.tremaliteratura.com/2010/07/poder.html","title":"Poder"}],"author":[{"name":{"$t":"Eloise Porto"},"uri":{"$t":"http://www.blogger.com/profile/10920883780637464596"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$extendedProperty":{"xmlns$gd":"http://schemas.google.com/g/2005","name":"OpenSocialUserId","value":"04829251064664572999"}}],"thr$total":{"$t":"7"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-3613412900021533829.post-537345841880883998"},"published":{"$t":"2010-07-14T11:44:00.004-03:00"},"updated":{"$t":"2010-07-14T11:52:44.991-03:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"porto"}],"title":{"type":"text","$t":"Cacos e cactos"},"content":{"type":"html","$t":"\u003ca href\u003d\"http://2.bp.blogspot.com/_Z2J0lN5L-9Q/TD3Ocny4mQI/AAAAAAAAACs/bwEZ0I3ZWOw/s1600/DSC00714.JPG\"\u003e\u003cimg style\u003d\"float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;\" src\u003d\"http://2.bp.blogspot.com/_Z2J0lN5L-9Q/TD3Ocny4mQI/AAAAAAAAACs/bwEZ0I3ZWOw/s320/DSC00714.JPG\" border\u003d\"0\" alt\u003d\"\"id\u003d\"BLOGGER_PHOTO_ID_5493774111575939330\" /\u003e\u003c/a\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003eEla me disse naquele jardim que era assim cacos e cactos e eu estava chocada porque cacos e cactos fazia todo o sentido. É a minha vida eu pensei que tinha tantos cacos já tinha me quebrado e recomposto tantas vezes eu sou uma coladura.\u003cspan id\u003d'fullpost'\u003eAqueles bonecos montados que você cata cada membro num jornal e revista diferente cada caco transformado em outro pedaço de gente que assim todo junto ainda tento entender que sou eu emoisacada. Cada caco diferente, transformado. Cada corte cada rasgo que faz fábrica de caco parindo novas pessoas em nós frenética costura de remendos que resulta ser humano, o Composto. Unicamente fragmentados. Vida.\u003cbr /\u003e\u003c/span\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003ePublicado por Eloise Porto.\u003cbr /\u003e\u003cem\u003eEloise Porto não aguenta mais ouvir falar em futebol.\u003c/em\u003e\u003cdiv class\u003d\"blogger-post-footer\"\u003e\u003cimg width\u003d'1' height\u003d'1' src\u003d'https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3613412900021533829-537345841880883998?l\u003dwww.tremaliteratura.com' alt\u003d'' /\u003e\u003c/div\u003e"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http://www.tremaliteratura.com/feeds/537345841880883998/comments/default","title":"Postar comentários"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"https://www.blogger.com/comment.g?blogID\u003d3613412900021533829\u0026postID\u003d537345841880883998\u0026isPopup\u003dtrue","title":"2 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/537345841880883998"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/537345841880883998"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http://www.tremaliteratura.com/2010/07/cacos-e-cactos.html","title":"Cacos e cactos"}],"author":[{"name":{"$t":"Eloise Porto"},"uri":{"$t":"http://www.blogger.com/profile/10920883780637464596"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$extendedProperty":{"xmlns$gd":"http://schemas.google.com/g/2005","name":"OpenSocialUserId","value":"04829251064664572999"}}],"media$thumbnail":{"xmlns$media":"http://search.yahoo.com/mrss/","url":"http://2.bp.blogspot.com/_Z2J0lN5L-9Q/TD3Ocny4mQI/AAAAAAAAACs/bwEZ0I3ZWOw/s72-c/DSC00714.JPG","height":"72","width":"72"},"thr$total":{"$t":"2"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-3613412900021533829.post-8132600617001340489"},"published":{"$t":"2010-06-30T14:49:00.001-03:00"},"updated":{"$t":"2010-06-30T19:58:43.558-03:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"porto"}],"title":{"type":"text","$t":"Ao espetáculo, o maestro."},"content":{"type":"html","$t":"\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp; Ele sempre partia, ele sempre precisava partir.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Não que se envergonhasse. Pelo contrário. Gostava do que fazia, o sacerdócio de poucos. Sempre acreditou no processo de criação da sua obra, executada como uma sinfonia – afinal de contas, não era modesto, mas extremamente inteligente. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;E se algumas pessoas evitam o lado sombrio da vida e das ruas, ele o cultuava, pois ali reconhecia seu verdadeiro habitat.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Às vezes se disfarçava e conseguia se camuflar sob as sombras da noite. Pairava quase como algo irreal, fugidio – manipulava os olhos dos humanos que o seguiam quase como um mágico. Essa percepção de confundir-se e desaparecer como um delírio ou miragem era um dom especialmente natural – o que fez dele um desconhecido estranhamente marcante, se é que essas duas palavras poderiam estar na mesma frase. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Mas nada mais era estranho.\u003cbr /\u003e\u003cspan id\u003d'fullpost'\u003e\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Preferia sextas-feiras. Relaxava. Sentia quase que inconscientemente o cheiro de algo se movendo por perto. Um arrepio lhe corre a espinha. Vai acontecer de novo. Vai acontecer novamente. Ficou pacientemente esperando o momento de emergir, triunfalmente, das sombras. Sua entrada em cena era dramática. A coadjuvante ainda não sabia. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Se a intuição não fosse tão falha, a presa poderia correr.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;É preciso então, muita cautela nesse momento. Aproxima-se sem respirar, praticamente. Um movimento em falso poderia estragar o espetáculo, seria deprimente perder outra noite. Esta parecia mais escura e fria do que as outras.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Com um golpe quase felino, ele agarra a caça pelo pescoço e aperta com força, gerando o silêncio brutal. Resistindo aos últimos solavancos do corpo contra o seu, deixa tombar, quase feliz. O plano prosseguia. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;O conceito de macabro sempre foi algo bastante flexível para aquela sombra. Palpável mesmo era a necessidade de ser famoso em silêncio, erguendo-se sobre a cidade, submergindo-a em seu próprio grito. Suas mãos habilidosas calavam a madrugada. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;E, acreditando-se na posição do mais excêntrico dos maestros, orquestrava seus instrumentos. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;O corte no abdômen expunha as vísceras. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Provavelmente, subtrairia mais alguns órgãos da caça. \u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;E brindaria seu feito no dia seguinte, no jornal da manhã. De novo, ele, o rei da mídia.\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Mas precisava partir.\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003e\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;\u0026nbsp;Precisava sair dali – as negras ruas de Londres cheiravam mal, a sangue enferrujado, o torpor da própria sordidez quase paralisava a sua face, e, no mais, acabara de completar mais um serviço – já sentia o gozo de quase atingir a perfeição. Poderia, finalmente, ir embora, e pairar como dúvida e ícone do horror e do insólito na comedida sociedade britânica vitoriana.\u003cbr /\u003e\u003c/span\u003e\u003cbr /\u003e\u003cbr /\u003ePublicado por Eloise Porto.\u003cbr /\u003e\u003cem\u003eEloise Porto vota no Partido Niilista Brasileiro em 2010.\u003c/em\u003e\u003cdiv class\u003d\"blogger-post-footer\"\u003e\u003cimg width\u003d'1' height\u003d'1' src\u003d'https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3613412900021533829-8132600617001340489?l\u003dwww.tremaliteratura.com' alt\u003d'' /\u003e\u003c/div\u003e"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http://www.tremaliteratura.com/feeds/8132600617001340489/comments/default","title":"Postar comentários"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"https://www.blogger.com/comment.g?blogID\u003d3613412900021533829\u0026postID\u003d8132600617001340489\u0026isPopup\u003dtrue","title":"5 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/8132600617001340489"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http://www.blogger.com/feeds/3613412900021533829/posts/default/8132600617001340489"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http://www.tremaliteratura.com/2010/06/ao-espetaculo-o-maestro.html","title":"Ao espetáculo, o maestro."}],"author":[{"name":{"$t":"Eloise Porto"},"uri":{"$t":"http://www.blogger.com/profile/10920883780637464596"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$extendedProperty":{"xmlns$gd":"http://schemas.google.com/g/2005","name":"OpenSocialUserId","value":"04829251064664572999"}}],"thr$total":{"$t":"5"}}]}});